Rostos Digitais, Leis Antigas: O Debate do Senado sobre IA e o Código Civil

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Rostos Digitais, Leis Antigas: O Debate do Senado sobre IA e o Código Civil


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A Inteligência Artificial (IA) tem revolucionado diversos setores, mas com essa inovação surgem novos dilemas éticos e legais, especialmente no que tange ao direito de imagem. Como proteger nossa identidade visual em um mundo onde a IA pode criar, manipular e disseminar imagens com uma facilidade sem precedentes?

A questão central é que o Código Civil brasileiro, formulado em 2002, não previu o advento e a complexidade das tecnologias de IA. Isso gera um vácuo legal preocupante, especialmente diante de fenômenos como os deepfakes, que permitem a criação de vídeos ou imagens falsas convincentes, e a utilização não autorizada de dados para treinamento de algoritmos.

Recentemente, o Senado Federal se debruçou sobre esse tema crucial em um debate que reuniu especialistas e legisladores. O senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou a urgência de atualizar a legislação para proteger o indivíduo, enquanto a professora Ana Paula de Barcellos, da UERJ, enfatizou a necessidade de repensar a definição de "imagem" na era digital e como o consentimento é aplicado. O professor Carlos Eduardo Elias de Oliveira, do IDP, apontou os desafios em determinar a responsabilidade em casos de uso indevido de IA.

A discussão levantou pontos cruciais: como garantir o consentimento para o uso da imagem em treinamentos de IA? Qual a responsabilidade de quem cria, distribui ou usa uma imagem gerada ou manipulada por IA sem autorização? Como equilibrar a liberdade de expressão e a inovação tecnológica com o direito fundamental à imagem e à privacidade?

A busca por soluções não é simples. Envolve a ponderação entre os avanços tecnológicos e a segurança jurídica dos cidadãos. A atualização do Código Civil, a criação de leis específicas para IA ou a revisão de conceitos como "dano moral" são algumas das vias que estão sendo consideradas para preencher essa lacuna legislativa. O objetivo é criar um arcabouço legal que não apenas coíba abusos, mas que também incentive o desenvolvimento responsável da IA.

O desafio é imenso, mas a iniciativa do Senado de debater o direito de imagem versus IA é um passo fundamental. É essencial que o Brasil estabeleça um caminho claro para proteger a identidade e a dignidade de seus cidadãos na era digital, garantindo que a tecnologia sirva à humanidade sem comprometer direitos fundamentais. A inovação não pode e não deve caminhar desacompanhada da ética e da lei.

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